sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sim eu te perdoou

Sofro demais com essa dor
Ninguém mas sabe o que ao certo eu sou
Uma figura morta e findada com tanto temor
Mas mesmo assim, eu te perdoou.

Antes éramos feito unha e carne
Apaixonados e felizes desmedidamente
Nos conhecíamos inteiramente, parte por parte,
E por encargo da ironia tudo acabou bem na nossa frente

No início era só de vez em quando, quase nunca
Depois, constantemente e cada vez mais feroz.
Será que era necessária aquela loucura?
Aquela bofetada em minha cara e a facada em meu braço?
Aquela mesma que todos escutaram quando o meu grito ecoou.
Mas digo: Eu te perdoou...

Várias vezes coloquei em minhas mãos a culpa
Mas acabei percebendo que jamais havia sido minha.
Sim, ela foi completamente sua, toda sua,
Essa pessoa inescrupulosa e fria que você é!

Talvez se não houvesse chegado delirando da rua,
Com uma garrafa na mão a esbravejar
O quanto me odiava e o que fizera várias vezes contra mim,
Nada disso teria ocorrido.

Eu não teria gritado, nem gesticulado ao vento
Mas o que ocorreu?
A única coisa que pude fazer é defender-me
A faca foi a única coisa que meus dedos tocaram na hora.
Você veio a minha direção como uma flecha sem direção.

E o sangue jorrou feito uma cachoeira de águas rubras,
e o brilho da lâmina na escuridão tilintou.
O que restou-me foram as palavras engasgadas a repetir:
-Sim eu te perdoou.
Pedro Ignácio Vidal

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